quarta-feira, 16 de março de 2011

Reator nuclear volta a pegar fogo no Japão

Técnicos haviam contido primeiro incêndio em reator 4, do complexo de Fukushima
Imagem de satélite projetada em tela de computador mostra a central nuclear de Fukushima, no Japão


Autoridades confirmaram na manhã desta quarta-feira (16) no Japão (ainda noite de terça-feira em Brasília) um novo incêndio no reator 4 da central nuclear de Fukushima. O incidente ocorre horas depois de o fogo ser controlado. Uma série de problemas graves afeta a central de Fukushima, localizada a 250 km a nordeste de Tóquio, desde o terremoto seguido de tsunami da última sexta-feira (11). 

Todos os seis reatores apresentam problemas, sendo que quatro deles já pegaram fogo e dois estão superaquecidos.Medo de radiotividade provoca fuga de Tóquio

A usina nuclear de Fukushima, afetada pelo tremor, está a 240 km a norte de Tóquio. Autoridades disseram que a radiação na capital do país estava 10 vezes acima do normal à noite, mas não era o suficiente para prejudicar a saúde.

Mas a confiança no governo está abalada, e muitas pessoas se preparam para o pior.

Várias pessoas deixaram Tóquio nesta terça-feira, e moradores permaneceram dentro de suas casas em meio a temores de que a radiação de uma usina nuclear atingida pelo terremoto da última sexta-feira afete uma das maiores e mais densamente povoadas cidades do mundo.

número de mortos por causa do terremoto e dos tsunamis que atingiram o nordeste do Japão chegou a 3.373 nesta terça-feira, segundo a polícia japonesa.

A imprensa japonesa começou a manhã de quarta (16) a noticiar outro incêndio que iniciou em um dos reatores nucleares de Fukushima, poucas horas depois de autoridades japonesas informarem que os níveis de radiação ao redor da instalação tinham caído, mas permaneceram acima dos limites de segurança. O fogo, o segundo no reator 4  da usina Fukushima  em poucos dias, foi relatado pela emissora japonesa NHK, citando a instalação do operador de energia Tokyo Electric Power Company .
O Departamento de Energia dos EUA enviou uma equipe de 34 pessoas para ajudar o Japão com a crise.


O Primeiro-Ministro japonês Naoto Kan na terça-feira pediu que as pessoas no raio de 30 km da instalação – uma população de 140 mil  – para permanecer em casa, enquanto autoridades lutam com mais grave acidente nuclear do mundo, desde o desastre de Chernobyl na Ucrânia em 1986. O mundo inteiro acompanha as notícias da usina nuclear de Fukushima, e governos europeus estão suspendendo programas nucleares.
Funcionários em Tóquio informaram que a radiação na capital foi de 10 vezes o normal em um determinado ponto, mas não representa uma ameaça para a saúde humana na cidade, mas deixou os 13 milhões de pessoas residentes na capital alarmados. Além de Fukushima e Toquio, níveis de radiação anormais foram sentidos em  Saitama, Ibaraki e Kanagawa.
O toxicologista Lee Tin da Universidade Chinesa de Hong Kong disse que  tal nível de radiação não era uma ameaça imediata para as pessoas, mas as conseqüências a longo prazo são desconhecidas.
“Você ainda está respirando isso em seus pulmões, e não há absorção passiva na pele, olhos e boca, e nós realmente não sabemos qual impacto a longo prazo do impacto”, disse Lee à Reuters por telefone.
Informações ainda são insuficientes
(Compilado do Mainichi Shinbum)
As ordens de evacuação para as zonas dentro de um raio de 30km da usina nuclear em que as explosões ocorreram sem esclarecer qual é a real situação da fábrica só tem causado ansiedade do público.
Além de explicar qual é a situação real na fábrica, fornecedores de energia e o governo são questionados a explicar claramente o que vai acontecer claramente e os riscos a população. Se presunções infundadas aumentarem a ansiedade do público, poderia levar muitas pessoas a entrar em pânico, espalhando danos desnecessários.
O que é importante na gestão de crises na hora de um desastre como o marco 11 é a imediata expedição de informações de fontes confiáveis. O público aprendeu essa lição desde o surto de gripe suína.
No entanto, organizações não conseguiram fornecer informações consistentes para o público. O Gabinete do Primeiro-Ministro, a Agencia de segurança Industrial Nuclear (NISA) e Tokyo Electric Power Co. (TEPCO) e outras organizações envolvidas têm até agora realizadas conferências de imprensa em separado para explicar o que aconteceu com a Usina Nuclear Fukushima. A TEPCO, que opera a usina, é a fonte de informação primária, mas existem desfasamentos e lacunas na precisão das informações anunciadas pelo fornecedor de energia e outras entidades.
Algumas horas antes, o governo anunciou uma explosão no prédio que abriga o reator 1 º alegadando que a TEPCO estava atrasado em relatar o incidente ao órgão regulador do governo. Mesmo que o modo como as informações sobre o incidente são fornecido situação melhorar a partir de agora, as organizações ainda não tendem a compartilhar informações necessárias.
Mais confusões
Confusão sobre falta de energia  – a suspensão do fornecimento de electricidade às áreas diferentes na forma de rodízio – é atribuível uma disposição inadequada de informações. A TEPCO mudou os horários de cortes de fornecimento e os avisos foram insuficientes – mesmo na noite antes dos cortes planejados.
A falta de energia, sem fornecer informações suficientes sobre a situação poderia pôr em risco a vida das pessoas que utilizam respiradores artificiais em casa. As informações conflitantes levaram à confusão do público sobre a suspensão dos serviços de transporte ferroviário na região metropolitana.
Dada a dimensão da catástrofe, as quedas de energia teriam compreensão do público. O problema é a demora das organizações para envio de informações precisas para se ter medidas de forma adequada.
A nação como um todo deve trabalhar juntos para superar essa crise extremamente grave. É hora de toda a nação aumentar sua capacidade de gestão de crises com divulgação de informações precisas.

    Consulado não localizou todos os brasileiros no Japão e trabalha com possibilidade de vítimas

    Consul não conseguiu contato com “uma dúzia”; Itamaraty faz operação de retirada
    O cônsul-geral do Brasil em Tóquio, Antonio Carlos Coelho da Rocha, disse na noite desta terça-feira (15) ao R7 (manhã de quarta-feira no Japão), que cerca de “uma dúzia” de brasileiros que viviam no nordeste do país não foi localizada. Segundo o diplomata, as autoridades trabalham com a possibilidade de vítimas do Brasil na tragédia gerada pelo terremoto seguido de tsunami.
    O cônsul confirma a existência de brasileiros em cidades atingidas.
    - Havia uma pequena concentração de brasileiros na região. É possível que possam ter brasileiros desaparecidos. Mas não temos confirmação, nem certeza disso. Segundo um dos relatos, temos uma dúzia de pessoas.
    Coelho da Rocha também trabalha com a possibilidade de vítimas brasileiras na região. Ele diz que é “possível” que decasséguis tenham morrido no terremoto de 8,9 graus que atingiu o Japão na última sexta-feira (11), ou no tsunami que engoliu várias cidades da costa nordeste do país.
    - Não temos evidência. Mas há essa possibilidade, na medida que houve localidades que simplesmente sumiram do mapa e nós cremos que havia brasileiros trabalhando lá.
    Segundo dados do consulado, 777 brasileiros viviam nas quatro províncias mais atingidas pela tragédia – Miyagi, Fukushima, Iwate e Aomori.
    Consulado retira brasileiros da região
    O consulado em Tóquio espera, ainda nesta quarta-feira, retirar todos os brasileiros nas cidades de Sendai e Fukushima, duas das mais atingidas pela tragédia.
    Uma operação, que conta com dois ônibus, um caminhão e uma van, já está no local, buscando decasséguis. Todos serão levados a Saitama, cidade vizinha a Tóquio, para um alojamento cedido por um empresário brasileiro (que não teve o nome divulgado). O Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) está arcando com parte dos custos.
    Segundo Coelho da Rocha, o alojamento em Saitama tem 20 apartamentos e é usado por operários. Uma missão do consulado estará no local para cadastrar os brasileiros e ver as necessidades de cada um.
    O cônsul acredita que boa parte deve seguir para a casa de parentes que vivem no sul do Japão, onde está a maior parte dos 250 mil brasileiros que vivem no país.

    Japão diz ter controlado incêndio em reator nuclear

    Fogo voltou a atingir reator 4 do complexo de Fukushima, no norte do país
    Autoridades japonesas anunciaram ter controlado o fogo no reator número 4 da central nuclear de Fukushima, momentos após o anúncio do incidente. O problema aconteceu um dia depois de uma explosão provocar um primeiro incêndio e danificar o teto do edifício que abriga o reator. 

    O incêndio ocorreu nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (horário japonês) - terça-feira (15) em Brasília - no compartimento que abriga o reator. Segundo o jornal britânico The Guardian, a imprensa local noticia que não se pode mais ver chamas saindo do local.
    Um funcionário da companhia de eletricidade japonesa, a Tepco, disse que "por volta das 5h45 [17h45 em Brasília], um funcionário nosso que carregava baterias para a sala de controle descobriu que estava saindo fumaça do edifício do reator 4.

    Uma série de problemas graves afeta a central de Fukushima, localizada a 250 km a nordeste de Tóquio, desde o terremoto seguido de tsunami da última sexta-feira (11). Desde então, cada um dos reatores 1, 2 e 3 registrou uma explosão, assim como o 4, que no momento do terremoto estava em manutenção. Essa explosão, provocada nesta terça-feira (14) por hidrogênio, iniciou um primeiro incêndio que perfurou o teto do edifício desse reator. 

    Esse primeiro incêndio foi apagado nesta terça-feira pelo Exército americano. 
    Medo de radiotividade provoca fuga de Tóquio
    A usina nuclear de Fukushima, afetada pelo tremor, está a 240 km a norte de Tóquio. Autoridades disseram que a radiação na capital do país estava 10 vezes acima do normal à noite, mas não era o suficiente para prejudicar a saúde.

    Mas a confiança no governo está abalada, e muitas pessoas se preparam para o pior.

    Várias pessoas deixaram Tóquio nesta terça-feira, e moradores permaneceram dentro de suas casas em meio a temores de que a radiação de uma usina nuclear atingida pelo terremoto da última e sexta-feira afete uma das maiores e mais densamente povoadas cidades do mundo.

    número de mortos por causa do terremoto e dos tsunamis que atingiram o nordeste do Japão chegou a 3.373 nesta terça-feira, segundo a polícia japonesa.

    Consulado retira brasileiros de área com vazamento nuclear no Japão

    Itamaraty confirma financiamento de empresário nipo-brasileiro para a iniciativa
    O Consulado do Brasil está retirando cidadãos de Fukushima, uma das regiões mais atingidas pelo terremoto e que vive uma crise nuclear com vazamento de radioatividade na usina nuclear 1.

    Segundo o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), um empresário nipo-brasileiro, cujo nome não está autorizado a divulgar, é o financiador de dois ônibus que levarão os brasileiros a localidades mais próximas de Tóquio, a capital japonesa.
    O consulado é o responsável pela logística da iniciativa, informou a assessoria de imprensa do Itamaraty.
    No Japão vivem mais de 250 mil brasileiros, que constituem a terceira maior comunidade estrangeira do país. A maioria está concentrada no sul do arquipélago, parte que não foi afetada pelo sismo de 9 graus na escala Richter registrado na última sexta-feira (11).
    Organizações brasileiras, o governo e a embaixada em Tóquio se concentraram em estabelecer contatos entre as famílias no Brasil e no Japão desde o acidente. A Cruz Vermelha lançou no último sábado (12) um site em português, destinado a localizar e reunir familiares.
    Brasileiros também enfrentam perigo nuclear
    Pelas estimativas da chancelaria brasileira, cerca de 400 brasileiros moram em Fukushima, Província do nordeste do país. O local abrigava instalações nucleares, que agora colocam em risco a população japonesa.
    Um porta-voz da chancelaria disse à agência de notícias France Presse que, em 2009, 383 brasileiros foram contabilizados naquela área.
    - As estatísticas que nos passaram o Ministério do Interior do Japão são de que na Província de Fukushima havia 383 brasileiros no último censo de 2009. Estimamos que essa cifra não mudou e que são cerca de 400 brasileiros hoje na região.
    Calcula-se que em Sendai, uma das cidades mais afetadas pelo terremoto e tsunami, vivam entre 15 e 20 brasileiros.
    O governo japonês não descarta a possibilidade de que tenha se desencadeado um processo de fusão do núcleo nos reatores um e três da usina nuclear Fukushima 1. Cerca de 200 mil pessoas foram retiradas daquela zona.

    Novo Terremoto Forte Atinge o Japão

    Uma réplica forte do tremor da última sexta-feira (11) que provocou um tsunami devastador no nordeste do Japão registrou  6.4 graus na escala sísmica japonesa, informou a rede de TV local NHK.

    A Agência de Meteorologia do Japão, que cuida deste gênero de medição, informou que a escala local vai de zero a sete. 
    A profundidade do tremor foi de 10 km e ele ocorreu no leste da Província de Shizuoka, que fica na principal ilha japonesa, Honshu, a mesma atingida pelo tsunami da última semana.
    A agência de notícias France Presse relatou que o abalo foi sentido em Tóquio, capital do país, que fica a cerca de 150 km do centro do novo tremor.
    O Instituto de Geologia dos Estados Unidos registrou 6,2 graus na escala Richter para o abalo e alega que o centro está a exatamente 116 km de Tóquio, também com uma profundidade de 10 km.

    terça-feira, 15 de março de 2011

    Tóquio tem radioatividade acima do normal

    Níveis anormais não devem afetar a saúde humana, segundo as autoridades

    Um nível de radioatividade levemente superior ao normal foi detectado na manhã desta terça-feira (15) em Tóquio, segundo as autoridades locais, que descartam qualquer risco para a saúde humana.
    Sairi Koga, responsável da prefeitura da capital japonesa, confirmou a informação.
    - Registramos um nível de radiação superior ao normal esta manhã em Tóquio. Mas não se trata de um índice suficiente para afetar a saúde humana.
    O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, informou mais cedo que o nível de radiação subiu "consideravelmente" na central nuclear de Fukushima 1 após um incêndio no reator 4.
    O premiê pediu à população que não saia de casa e que adote medidas de proteção contra a radiação em um raio de 30 km em torno da central nuclear.
    Em Fukushima, risco é alto
    Segundo o jornal britânico The Guardian, o porta-voz do governo japonês, Yukio Edano afirmou que os níveis atuais de radiação em Fukushima podem afetar saúde humana.
    - As leituras foram realizadas perto da área onde nós acreditamos que a libertação de substâncias radioativas está ocorrendo. Quanto mais longe você for, mais valores devem ir para baixo.
    Ele pede que as pessoas permaneçam dentro de casa para que não sejam expostas a qualquer radiação que possa vazar do complexo nuclear.
    Nesta segunda-feira (14), o governo divulgou um novo balanço que aponta 2.414 mortos, 3.118 pessoas estão desaparecidas e 1.885 ficaram feridas, de acordo com a Agência Nacional de Polícia e Desastres de Emergência.

    Primeiro-ministro e pede à população que se proteja num raio de 30 km da usina nuclear


    Incêndio atinge reator 4 de Fukushima e radiação sobe noJapão
    O nível de radiação subiu "consideravelmente" no complexo nuclear de Fukushima 1 por conta de um novo incêndio no reator 4, informou nesta segunda -feira (15, terça-feira no Japão) o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan.
    Com o discurso transmitido pela emissora NHK, o premiê diz que a radiação nuclear se espalhou a partir da explosão desse último reator e o nível de radioatividade “parece alto”.
    - Ainda há um risco muito elevado de que vaze material radioativo.
    Kan pede a retirada dos moradores de uma área que compreende um raio de 30 km ao redor da usina nuclear. Centenas de milhares de já saíram da região e o primeiro-ministro pede calma à população.
    Ele disse ainda que os trabalhadores estão "colocando-se em uma situação muito perigosa" para tentar conter os problemas em Fukushima 1, que já teve problema em quatro reatores desde o último sábado (12).
    O porta-voz do governo Yukio Edano confirmou o que parece ter sido uma explosão de hidrogênio no reator número 4 (como em unidades de 1, 2 e 3), e afirmou que o incidente nesse equipamento não era esperado. Eles continuam a injetar água do mar em todos os equipamentos para resfriá-los.
    Questionado sobre a situação das pessoas que vivem mais longe, Edano disse que a "quantidade é mínima" de material radioativo que poderia se espalhar para essas áreas distantes.
    - Nós queremos todos mantenham a calma. Podemos continuar com nossas vidas cotidianas.
    Nível de radiação pode afetar saúde humana

    Segundo o jornal britânico The Guardian, Yukio Edano afirmou que os níveis atuais de radiação em Fukushima pode afetar saúde humana.
    - As leituras foram realizadas perto da área onde nós acreditamos que a libertação de substâncias radioativas está ocorrendo. Quanto mais longe você for, mais valores deve ir para baixo.
    Ele pede que as pessoas permaneçam dentro de casa para que não sejam expostas a qualquer radiação que pode vir a caminho.
    Nesta segunda-feira, o governo divulgou um novo balanço que aponta 2.414 mortos, 3.118 pessoas estão desaparecidas e 1.885 ficaram feridas, de acordo com a Agência Nacional de Polícia e Desastres de Emergência.
    O USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos) revisou a magnitude do terremoto de 8,9 para 9 graus na escala Richter. Com essa intensidade, o fenômeno se enquadra como o quarto maior do mundo desde 1900, e o maior já registrado em território japonês, desde que começaram as medições, há 130 anos.

    Usina nuclear japonesa tem nova explosão e afeta reator 2

    Falha no sistema de resfriamento piora a situação no complexo nuclear de Fukushima


    Uma nova explosão no complexo nuclear de Fukushima, no norte do Japão, afetou o sistema de resfriamento do reator número 2 e piorou ainda mais a situação dessa central, informou nesta segunda-feira (14) a rede americana CNN.
    A agência de notícias France Presse informa, citando um anúncio do governo japonês, que uma parte do recinto de confinamento do reator 2 parece ter sido destruído, deixando a entender que era possível um vazamento radioativo.
    Segundo a CNN, essa última explosão teria sido ocasionada por um acúmulo de hidrogênio, que danificou o sistema de refrigeração do reator. O chefe de gabinete do governo japonês, Yukio Edano, disse que não descartava a possibilidade de um colapso em todos os três reatores da usina.
    Com o mais novo problema, cresce o temor de que um vazamento de radiação pode piorar ainda mais o cenário de devastação do país, atingido na última sexta-feira (11) pelo forte terremoto de 9 graus na escala Richter, o maior já registrado no Japão.
    A explosão no reator número 3 de Fukushima, na madrugada desta segunda-feira (14), deixou 11 pessoas feridas e foi poderoso o suficiente para destruir o telhado e as paredes de um prédio.

    De acordo com a CNN, autoridades informaram que funcionários trabalharam para bombear água do mar para o reator 2, como vêm fazendo para os reatores 1 e 3, disseram autoridades. O reator 1 sofreu uma explosão no último sábado (12).Japão pede ajuda aos Estados Unidos e à ONU
    O Japão já pediu ajuda aos Estados Unidos e à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), para que enviem especialistas para ajudar na atual crise nuclear.

    Ainda hoje, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, anunciou que o governo criará uma resposta conjunta com o operador do reator nuclear de Fukushima para melhor gerir a crise, informa o jornal britânico The Guardian.

    Naoto Kan também disse aos repórteres que ele vai liderar pessoalmente as operações, que ficará localizado na sede da Tokyo Electric Power Co, segundo a agência de notícias Associated Press.

    Agência de Energia Atômica tranquiliza sobre vazamento
    Apesar do alto estado de alerta, a AIEA tranquilizou as autoridades dizendo que “é muito improvável” que os problemas na usina Fukushima 1 sejam comparáveis ao acidente ucraniano de Chernobyl, como alguns especialistas disseram anteriormente.
    A catástrofe de Chernobyl, ocorrida em abril de 1986, foi avaliada no nível 7, o mais alto já alcançado, definido como um “acidente maior, com um efeito estendido ao meio ambiente e à saúde”. Já as autoridades japonesas anunciaram que Fukushima 1 alcançou o nível 4 da escala de acontecimentos nucleares e radiológicos (INES).
    Ainda nesta segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que os riscos para a saúde pública causados pelos vazamentos radioativos nas centrais nucleares do Japão são mínimos, já que há pouca radiação oriunda do vapor que saiu dos reatores.
    Japão combate superaquecimento com água do mar
    Para tentar evitar um superaquecimento dos reatores, o Japão começou a injetar água do mar nos equipamentos, após as falhas no sistema de refrigeração decorrentes do terremoto de sexta-feira.
    Apesar da tentativa, o país não teve muito sucesso para deter definitivamente os vazamentos .
    Para evitar riscos perante a possível fuga de material radioativo, as autoridades tiraram cerca de 200 mil pessoas da região de Fukushima. Além disso, as autoridades japonesas distribuíram 230 mil unidades de iodo - que serve como antídoto para um determinado tipo de radiação -, mas o material ainda não foi entregue, de acordo com a AIEA. 

    Consequencias do terremoto já são sentidas em outras localidades


    Cidade japonesa busca metade 

    de seus habitantes após tragédia


    As regiões que foram atingidadas pelo terremoto estão em situação de emergência. Nas províncias de Iwate, Fukushima, Miyagi e Aomori as equipes de resgate estão trabalhando intensamente, enquanto trens e rodovias continuam bloqueadas ou com acesso limitado. Ainda não se fala em reconstrução, apenas em continuar na ajuda aos feridos e procurar por sobreviventes que podem estar isolados. Indústria e comércio quase que totalmente paralisados sem previsão de retorno ainda.
    Para as regiões que foram atingidas pelo tsunami, os prejuízos serão difíceis de se calcular. As perdas de seguradoras e resseguradoras em função do tremor e do tsunami que atingiram Japão nesta madrugada podem chegar a US$ 10 bilhões. Para se ter uma idéia, o terremoto de Kobe acarretou prejuízos estimados na ordem de US$ 100 bilhões.
    Um problema que foi detectado nas imagens do tsunami, foram grande áreas agrícolas que foram devastadas e irão se tornar irrecuperáveis, pelos detritos e salinização do solo. Imagens de milhares de veículos e casas totalmente destruídas mostram que a população local irá demorar anos para se restabelecer.
    Consequencias imediatas em outras regiões
    O primeiro setor a anunciar paralização das atividades foi o setor de automóveis. Toyota já anunciou a paralização de suas unidades no Japão, assim como a  Honda, Nissan e Mitsubishi. Com esta paralização, milhares de pessoas que trabalham nestas fábricas, somada as outras fábricas e empresas auxiliares (peças, transporte, serviços) irão parar pelo menos nesta segunda feira. As empresas ainda não tem um plano de quantos dias pretendem parar.
    Outros setores podem também anunciar paralizações, não apenas no setor automotivo, mas setores em que a circulação de peças e sistema de transporte fiquem comprometidos.
    As fábricas no setor alimentício de primeira necessidade podem ter aumento no volume de trabalho.
    Empresas que trabalham em construção civil já começaram a movimentação e previsões de movimentar trabalhadores para as áreas afetadas e trabalharem em obras necessárias. Já temos relatos de brasileiros e peruanos que foram chamados a trabalhar na região atingida pelo terremoto.

    Japão tenta se reerguer com medo de desastre nuclear

    O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, disse que a tragédia no Japão é a “mais dura e pior crise” vivida pelo país desde a Segunda Guerra Mundial, quando as cidades de Hiroshima e Nagasaki foram atacadas com bombas atômicas, em 1945. O governo pediu a união dos japoneses para a reconstrução das áreas afetadas

    segunda-feira, 14 de março de 2011

    SOS-TRAGÉDIA NO JAPÃO- TERREMOTOS,TSUNAMIS

    Terremoto no Japão danificou mais de 46 mil edifícios


    O governo japonês divulgou na manhã desta segunda-feira (14) – ainda domingo no Brasil - um primeiro balanço oficial de danos do terremoto e do tsunami que arrasaram o nordeste do país na última sexta-feira (11). O tremor, o mais forte já registrado na história do Japão e um dos mais intensos da história, marcou 8,9 graus na escala Richter e já provocou quase1.600 mortes, além de cerca de 10 mil desaparecimentos. Há ainda cerca de24 mil pessoas ilhadas e 310 mil dependem de ajuda em abrigos provisórios.
    Ao todo, ao menos 46 mil residências e prédios foram danificados pelo desastre natural, informou o serviço em inglês da emissora japonesa NHK. A bolsa de Tóquio reagiu aos temores de que a economia do país seja prejudicada pelas catástrofes e caiu 4% na primeira sessão após o terremoto, de acordo com a agência de notícias France Presse.
    O governo ainda divulgou que 5.700 construções desabaram devido ao impacto do terremoto ou foram tragadas pelo tsunami. Até o momento os maiores danos foram registrados em Iwate, com 3.056 construções nesta estatística. A localidade é seguida por Fukushima, com 2.413, depois por Miyagi, com 86, Ibaraki, com 80, Yamagata, com 38, Tochigi, com 15, Chiba, com 14, Tóquio, com três, Kanagawa, com uma, e Akita, também com uma.
    A Agência da Polícia Nacional também informou danos em rodovias e pontes em ao menos 600 pontos no país. Um dique de represa ainda desmoronou em Miyagi. O terremoto, que ainda é seguido de fortes réplicas, também causou deslizamentos de terra em 66 locais em sete Províncias.
    Catástrofe gerou temor de acidente nuclear
    O governo japonês anunciou neste domingo (13) que pode haver um derretimento parcial nos reatores de duas usinas e declarou estado de emergência. Neste sábado (12), uma explosão ocorreu na usina Fukushima Daiichi, o acidente que alcançou o nível quatro em uma escala que vai até sete e provocou exposição à contaminação em mais de cem pessoas.
    Sinais de radiação alta também ocorreram nos arredores da usina de Fukushima Daini. Além dela, uma usina nuclear em Tokai, na Província de Ibaraki (norte de Tóquio), sofreu neste domingo problemas em seu sistema de refrigeração, informou a agência local Kyodo.
    Segundo autoridades de Ibaraki citadas pela Kyodo, um dos dois sistemas de refrigeração da usina número dois de Tokai paralisou, mas o outro funciona normalmente, por isso que não se preveem problemas para o reator nuclear.
    A operadora é a Japan Atomic Power, que considerou possível evitar o superaquecimento do reator mediante esse segundo sistema de refrigeração.
    Além delas, a de Onagawa registra problemas desde o terremoto.
    O terremoto de 11 de março provocou a paralisação automática de onze das 51 usinas nucleares do Japão.